Dicas
Ampularídeos do gênero Pomacea
1. Ampularídeos: Introdução
Escrever um artigo inteiramente dedicado às Pomaceas é uma
tarefa um tanto quanto difícil. Levando-se em conta que os caramujos
são criaturas por vezes desprezadas pela grande maioria dos aquaristas,
percebe-se que curiosidades biológicas e comportamentais desses
pacíficos animais escapam-nos, quando deveriam chamar-nos a atenção.
A anatomia e o funcionamento do organismo de uma pomacea
são aspectos que talvez não prendam a atenção da maioria dos aquaristas.
Mas quando se parte do seu comportamento, resistência surpreendente,
capacidade de adaptação, e a importância das pomaceas em
inúmeros ecossistemas de todo o planeta¹ – inclusive sistemas fechados
como nossos aquários – aí sim conhece-se verdadeiramente as pomaceas.
A mais comum delas é atribuir o nome ampulária como sinônimo
de corbícula. Essa definição é completamente equivocada.
Corbículas são moluscos bivalves dulcícolas, da família Corbiculidae,
ordem Veneroidea, classe Bivalvia; ou seja, nada tem
a ver com as ampulárias, família Ampullariidae, ordem Caenogastropoda
(Mesogastropoda na literatura mais antiga), classe Gastropoda.
Corbículas são moluscos neotropicais altamente adaptáveis, sendo
introduzidos e estabelecidos com sucesso em várias regiões tropicais
e subtropicais por todo o planeta. Inclusive em algumas regiões
é vista como praga. Curiosamente, as corbículas são um dos únicos
moluscos dulcícolas que toleram uma certa taxa de salinidade. Ou
seja, tirando o fato de ambas serem moluscos dulcícolas, ampulárias
e corbículas pouco têm em comum. Todos os ampularídeos possuem algumas
características em comum:
- Sexo separado: ao contrário do que muitos pensam, ampularídeos
não são hermafroditas; essa "lenda" provavelmente se deve ao fato
da fêmea poder estocar o esperma do macho por um período que pode
se estender por semanas ou meses;
- Postura de ovos acima da coluna d’água, com exceção do gênero
Marisa.
- Respiração branquial e pulmonar;
- Presença do opérculo;
- Sifão respiratório. um órgão localizado no lado esquerdo, mais
precisamente no lóbulo nucal na entrada da concha do ampularídeo,
que quando contraído forma um tubo flexível. Isso permite que
as ampulárias possam renovar o ar de seus pulmões continuando
submersas, o que é muito vantajoso, visto que são muito vulneráveis
quando fora d'água.
- Longos tentáculos labiais.
- Tendência a hábitos noturnos e fotofobia.

As ampulárias são encontradas na natureza em lagos, pântanos e
alagadiços das regiões tropicais de subtropicais de todo o mundo,
principalmente na América do Sul, América Central, centro-sul da
África e sudeste asiático. Normalmente são águas com pouca correnteza
e oxigenação, o que favoreceu o desenvolvimento do sifão respiratório
e da respiração dupla. Como os habitats onde vivem as ampulárias
localizam-se em regiões com estações secas e chuvosas, tais lagos
e alagadiços podem vir a secar, expondo as ampulárias à total ausência
de água. Para "driblar" essa situação adversa, os ampularídeos desenvolveram
um opérculo córneo, feito principalmente de queratina, que permite
que o animal permaneça com sua concha firmemente fechada, evitando
assim a perda excessiva de umidade. Em seu habitat natural, na época
da estiagem, o ampularídeo fecha sua concha com o opérculo, enterra-se
total ou parcialmente na lama e entra num estado de "hibernação",
até que as condições melhorem. O opérculo também é muito útil para
que a ampulária defenda-se de eventuais predadores.
2. O gênero Pomacea
Os ampularídeos do gênero Pomacea estão entre os mais populares
moluscos dulcícolas encontrados no aquarismo ornamental. O habitat
desses moluscos do Novo Mundo se estende desde o sudeste dos Estados
Unidos, toda a América Central, países do norte da América do Sul,
ocorrendo em todo o território brasileiro até a bacia do Rio La
Plata, na Argentina. Pomaceas podem ser encontradas também no sudeste
asiático, onde foram introduzidas, desde o sul do Japão até a Indonésia.
A classificação do gênero Pomacea é algo complicado, dado
que a maioria das espécies foram classificadas entre os séculos
XVI e XVIII, levando em consideração apenas alguns detalhes da concha
e variação de cores, sem um estudo anatômico mais aprofundado, análise
da distribuição geográfica ou respeitando o fato de haver variantes
dentro de uma espécie. Resultado: já foram descritas mais de 100
espécies pertencentes ao gênero Pomacea, mas na realidade
esse número é bem menor. Para se ter uma idéia, no complexo Canaliculata
foram descritas mais de 45 espécies; hoje em dia é sabido que se
trata de uma espécie só, com seis sub-espécies, e mesmo assim algumas
verdadeiramente idênticas (Pomacea doliodes e P. lineata,
por exemplo.), o que fará que em breve o número se reduza ainda
mais. O mesmo ocorreu e ocorre com o complexo Flagellata.
Alguns autores estão procurando reclassificar o gênero para que
não haja tantos equívocos, reduzindo o número de espécies para cerca
de 50, e dividindo as espécies em complexos e subespécies, dessa
vez respeitando a variabilidade de uma espécie e relacionamentos
genéticos, utilizando-se de recursos de identificação mais confiáveis
e modernos, como análise do DNA e cromossomos, morfologia interna,
experiências com cruzamentos, etc.
A classificação mais atual do gênero Pomacea divide-o em
dois sub-gêneros: Pomacea (pomacea) e Pomacea
(effusa). Nesses dois sub-gêneros estão reconhecidas diversas
espécies, porém algumas tão similares que provavelmente sejam uma
espécie só, tornando então a classificação atual duvidosa e ainda
sujeita à mudanças.
3. Identificando uma Pomacea
Como vimos acima, a classificação de espécies do gênero Pomacea
é algo que ainda está em desenvolvimento. Detalhes da concha, como
textura da superfície, cor, etc, são muitos superficiais para definir
uma espécie. A superfície da concha de uma pomacea pode ser
lisa ou áspera, apresentando linhas de crescimento, por vezes podendo
ocorrer uma certa maleabilidade, principalmente em indivíduos mais
jovens. A concha apresenta forma de cone, com os espirais secundários
arredondados e sempre partindo para a direita (é dito que pomaceas
possuem uma concha "destra"). A abertura da concha é ovalada. No
lado oposto da abertura da concha localiza-se o opérculo córneo.
A concha pode apresentar diversas cores, entre o branco, amarelo,
marrom escuro ao quase preto, com ou sem "bandas" (faixas escuras).
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Uma das maneiras
mais fáceis de identificar uma Pomacea
é observando o longo sifão respiratório.
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O corpo dos ampularídeos do gênero Pomacea apresenta tentáculos
cefálicos e labiais longos, além da característica mais significativa
do gênero: a presença de um extenso sifão respiratório, que se estende
por até 2 vezes e meia o comprimento do animal. O corpo pode apresentar
colorações que variam do cinza claro ao amarelado, com ou sem pontos
escuros. Todas as pomaceas colocam seus ovos seus ovos acima
da coluna de água.
4. Espécies
- Pomacea bridgesii: O complexo bridgesii divide-se
em duas sub-espécies: Pomacea bridgesii bridgesii e Pomacea
bridgesii diffusa, ambas encontradas na bacia Amazônica. A
concha da P. bridgesii possui de 5 a 6 espirais bem pronunciados,
a abertura da concha ovalada, porém a característica mais marcante
- e a única que permite identificação externa - são os "encontros"
entre as espirais formando ângulos de 90°, quando o animal
é visto de cima, por exemplo. Outra característica que permite
identificar a Pomacea bridgesii são os ovos rosados. O
tamanho varia de 2 a 3 mm e cada ninho contém de 200 a 900 ovos.
A Pomacea bridgesii é uma das espécies mais comum em aquários,
e sua popularidade é devido ao fato de ser o único ampularídeo
comercializado em lojas que não se alimentará de folhas de
plantas sadias, preferindo matéria orgânica vegetal e animal
morta (folhas mortas e cadáveres de peixes), vegetais crus (alface,
pepino, aipo, cenoura), algas (principalmente verdes e filamentosas),
ração para peixes, etc. Uma P. bridgesii só irá alimentar-se
de folhas sadias quando não houver nenhuma outra fonte de alimento.
- Pomacea canaliculata: Facilmente encontrada no
Baixo Rio Amazonas e Bacia do Rio La Plata, seu habitat estende-se
pela Bolívia, sudeste do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.
É um dos ampularídeos do neotropicais encontrados mais "ao sul".
Junto com a Pomacea bridgesii é um dos moluscos dulcícolas
mais facilmente encontrados em lojas de aquarismo. Porém, a P.
canaliculata é a responsável pela "má fama" das ampulárias
e por várias experiências frustrantes de aquaristas desavisados
que as mantiveram em aquários plantados. A P. canaliculata
é muito semelhante à sua "prima" P. bridgesii, porém é
uma voraz devoradora de plantas, arruinando todo o paisagismo
de um aquário plantado em poucos dias.
A concha da P. canaliculata é robusta e pesada, apresentando
pouca maleabilidade, especialmente em indivíduos mais velhos.
Possui de 5 a 6 espirais unidos por uma sutura "profunda", como
que "enterrada" na concha. Os encontros entre as espirais formam
ângulos menores que 90º. Essa característica permite identificá-la
exteriormente. O corpo pode ser amarelado, acizentado, marrom
ou quase preto, com pontos amarelados no sifão, porém não apresentando
"spots" tão numerosos nas regiões da boca e pé, como é o caso
da P. bridgesii. Os ovos também podem identificar a espécie,
bem mais avermelhados que os da P. bridgesii, e um pouco
maiores também: de 2.2 a 3.5 mm. O ninho pode conter de 200 a
600 ovos.
- Pomacea paludosa: Bem menos comum em lojas de
aquarismo, a norte-americana P. paludosa é uma hábil devoradora
de plantas, não sendo recomendada, portanto, para aquários plantados.
É uma pomacea maior, mais robusta e com uma aparência mais "pré-histórica"
- o que ela é de fato, já foram encontrados fósseis de datando
de 200 a 800 mil anos.
A concha da P. paludosa possui as suturas rasas e abertas,
com os encontros entre as espirais formando ângulos maiores
que 90°. A abertura da concha é larga e em forma "de gota".
As cores encontradas são do amarelo escuro ao quase preto, passando
pelo marrom (mais comum), podendo aparecer tons avermelhados e
sempre apresentando bandas (faixas) escuras. O corpo é cinza,
podendo apresentar pigmentações escuras na parte superior do corpo.
Os ovos são rosados, bem maiores (3-6 mm) e com um ninho bem menor
(20-100 ovos), envolto por uma fina camada gelatinosa.
- Pomacea flagellata: Essa pomacea centro-americana
já foi dividida em mais de 30 espécies no passado, tamanha a sua
variabilidade. Atualmente, o complexo flagelatta dividi-se em
quatro subespécies: Pomacea flagellata flagellata, P.
flagellata livescens, P. flagellata erogata e P.
flagellata dysoni. Possui uma concha de aparência mais delicada,
e com suturas bem abertas, formando ângulos de aproximadamente
120° ou maiores. Em alguns casos o ângulo formado nesses encontros
entre os espirais parece ser quase inexistente. Devido a quantidade
de variantes dessa espécie, o ângulo das suturas pode variar um
pouco. As cores variam também: desde o verde-oliva escuro, marrom
ou quase preto, com ou sem nuances avermelhadas, com ou sem faixas
escuras. A P. flagellata é um dos poucos ampularídeos cuja
concha permite a identificação do sexo do indivíduo: a concha
do macho possui uma abertura mais larga (provavelmente para abrigar
o complexo peniano) e a borda da entrada da concha com uma curvatura
voltada "para fora", ausente nas fêmeas, como mostra a ilustração
abaixo:
O corpo é cinza escuro ou claro, com pigmentos escuros, em alguns
indivíduos apresentando o pé ou a cabeça completamente pretos.
Os ovos são de cor laranja pálido e após 10 dias, quando fertilizados
apresentam uma cor escura.
A P. flagelatta alimenta-se de todo e qualquer tipo de
planta aquática, devorando-as numa velocidade assustadora, sendo
talvez a ampulária mais "devastadora" em aquários plantados. Parece
possuir um apetite especial por Microsorum sp. Na ausência
de outra fonte de alimento, as P. flagelatta podem atacar
outros caracóis e invertebrados, camarões, peixes que estejam
dormindo e/ou doentes, praticando o canibalismo e a predação.
4.1 Conquiliologia² do gênero Pomacea – principais espécies
Os conquiliologistas consideram que a posição padrão para estudar
a concha de moluscos univalves é a de forma que, olhando para a
abertura, o topo da espiral (ápice) fique para cima. A identificação
das espécies de pomaceas é relativamente fácil, bastando observar
os detalhes da formação da concha.
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Pomacea
bridgesii: encontro entre os espirais formando ângulos de 90°. |
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Pomacea
canaliculata: suturas formando ângulos menores que 90°. A entrada
da concha é mais arredondada que a da P. bridgesii. |
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Pomacea
paludosa: encontro entre as espirais formando ângulos maiores
que 90°, mas ainda aparentes. Entrada da concha larga e em forma
"de gota". |
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Pomacea
flagellata: suturas formando ângulos de aproximadamente 120°,
em alguns casos esse ângulo é quase inexistente. Indivíduos
machos apresentam uma curvatura na borda da entrada da concha. |
5. Cuidados com sua Pomacea
5.1. O aquário
Pomaceas são animais rústicos e resistentes, não sendo tarefa
difícil mantê-las saudáveis em boa parte dos aquários comunitários.
Calcula-se cerca de 10-15 litros de água para cada ampulária de
tamanho médio. É aconselhável que o aquário possua tampa para evitar
"passeios" noturnos, embora ampularídeos possam resistir emersos
por várias horas - ou dias.
Uma coluna de ar de aproximadamente 5 cm entre a superfície da
água e a tampa é necessária, caso contrário a pomacea não irá conseguir
captar oxigênio do ar, e como sua respiração branquial é insuficiente,
ela literalmente irá morrer afogada. Áreas de sombra são recomendáveis,
embora ampulárias sejam absurdamente míopes, seus olhos possuem
capacidade de captação de luz e indivíduos albinos irão sentir-se
mais confortáveis com regiões onde possam abrigar-se da claridade.
O substrato deve ser preferencialmente arenoso, sem pontas/arestas
afiadas que possam ferir o animal. O mesmo vale para pedras, troncos
ou qualquer outra decoração presente no aquário.
Não é recomendável manter ampulárias em aquários exclusivamente
destinados à reprodução de peixes. Além de algumas espécies de peixes
apresentarem um comportamento extremamente territorial/agressivo
na época de reprodução (como boa parte dos ciclídeos), podendo ferir
gravemente a pomacea, esta possui uma tendência a devorar
ovos de peixes, chegando a dizimar uma ninhada inteira, sendo indiferente
aos ataques dos pais cuja espécie não atinja grandes dimensões (Apistogramma
sp., por exemplo).
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Otocinclus sp.
alimentando-se de algas que crescem sobre a concha de uma
Pomacea bridgesii. É recomendável que as pomaceas
sejam mantidas apenas com peixes pacíficos.
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Pomaceas convivem muito bem com a maioria dos peixes, sendo
completamente inofensivas para com outros habitantes do aquário.
Nos casos de incompatibilidade entre peixes e ampulárias, é sempre
esta que sai em desvantagem. Alguns peixes podem desde "divertir-se"
mordiscando os tentáculos das pomaceas, até arrancando pedaços
do animal, acabando por matá-lo. Alguns peixes que podem atacar
ampularídeos são:
- Botia sp.;
- Baiacús dulcícolas (Tetraodon sp.);
- Alguns peixes-gato, como Bunocephalus sp. e Leiocassis
sp.;
- Alguns ciclídeos africanos, como Pseudotropheus sp. e
Melanochromis sp.;
- Ciclídeos americanos de médio-grande porte (oscar, jurupari);
- Algumas espécies de Apistogramma sp.;
- Vários anabantídeos, como Betta sp. e Trichogaster
sp.;
- Vários ciprinídeos, especialmente lábeos (Epalzeorhynchus
sp. e Morulius sp.), mas também kinguios, carpas e
barbos.
5.2. Parâmetros e qualidade da água
Pomaceas são animais surpreendentemente resistentes. Elas
conseguem sobreviver em águas com níveis de poluição, amônia e nitritos
praticamente absurdos, que a grande maioria dos peixes e invertebrados
não conseguiria resistir por muito tempo. No entanto, pomaceas
não são "invencíveis", e podem vir a desenvolver doenças e morrer
prematuramente se não forem mantidas em condições no mínimo respeitáveis
para garantir sua qualidade de vida. Isso significa água limpa,
manutenção regular, trocas parciais de água frequentes, estabilidade
dos parâmetros, etc.
Ampularídeos necessitam de uma concentração de cálcio mínima para
desenvolverem e manterem suas conchas saudáveis, caso contrário
elas se tornam frágeis e quebradiças, levando o animal à morte.
Há quem diga que pomaceas não sobrevivam em pH ácido, o que
não é totalmente verdade, já que o responsável pela concentração
de cálcio é o GH (dureza geral), que pouco tem relação com o pH.
Porém um GH alto é relativamente raro em águas ácidas, ocorrendo
muito mais freqüentemente em águas alcalinas, conseqüentemente,
na maioria das vezes ampulárias conseguem viver melhor em águas
alcalinas. De qualquer forma, pomaceas conseguem tolerar
uma faixa de pH entre 6.5 a 8.8, sendo mais recomendável uma faixa
de pH tendendo a neutro (7.0).
O parâmetro mais importante para as ampulárias sem dúvida é a temperatura.
É a responsável pela atividade metabólica, reprodutiva, desova,
velocidade de crescimento e do ciclo de vida. Embora as pomaceas
sejam bastante tolerantes a variações bruscas, temperaturas extremas
podem matá-las em questão de horas. No caso da Pomacea canaliculata
e P. bridgesii, temperaturas acima de 32° são potencialmente
fatais; sobrevivem de 15-20 dias em 0°C, 2 dias em -3°C e não mais
que 6 horas em -6°C. A P. paludosa, em temperaturas acima
dos 40°C morre em 1 a 4 horas. Sua vida é reduzida para alguns dias
quando submetida a temperaturas menores que 5°C. Entretanto, a temperatura
ideal para manter ampulárias é na faixa entre 24 e 28°C. Em temperaturas
mais baixas (24-25°C), os movimentos graciosos das ampulárias não
serão tão freqüentemente observados, a atividade sexual ficará bastante
reduzida ou quase nula; por outro lado, sua expectativa de vida
será notavelmente aumentada (para quatro anos ou mais), ela se alimentará
menos, e conseqüentemente defecará menos. Temperaturas mais altas
(27-28°C) aumentam o metabolismo conseqüentemente a atividade, apetite
e atividade reprodutiva do ampularídeo. Por outro lado, ela defecará
bastante e terá seu tempo de vida bastante reduzido, de 4 anos para
cerca de um ano.
5.3. Alimentação
Ampulárias são relativamente fáceis de alimentar. Contudo, deve-se
oferecer uma grande variedade de alimentos a fim de garantir a qualidade
de vida do animal e sua longevidade, bem como evitar doenças. Pomaceas
em geral irão preferir uma dieta vegetariana, portanto verduras
e legumes como cenoura, alface, batata, pepino, etc, serão bem recebidos.
Entretanto, as pomaceas são onívoras e necessitam de alimentos
de origem animal como fonte de proteínas. Para satisfazer tal necessidade,
pode-se oferecer também ração para peixes e comida congelada. Eventualmente
as pomaceas podem alimentar-se de ovos, vegetais em decomposição,
ou ainda cadáveres de peixes e invertebrados.
A variedade na alimentação é muito mais importante que a quantidade.
Embora as causas da grande maioria (senão todas) as infecções internas
que ocorrem em ampularídeos sejam desconhecidas, muitos autores
atribuem à carência ou excesso de nutrientes como causadores de
muitas moléstias. Isso quer dizer que, se for oferecido uma grande
quantidade de proteínas, por exemplo, o sistema digestivo do animal
pode não conseguir metabolizar tal quantidade e debilitar-se; o
mesmo ocorre na ausência de qualquer fonte de proteína.
Quase todas as pomaceas são algueiras, preferindo as algas
verdes e filamentosas, entretanto, a maioria aprecia também comer
plantas aquáticas vivas, com exceção da Pomacea bridgesii,
que só irá se alimentar de folhas sadias se não houver nenhuma outra
fonte de alimento. Devido a essa característica, a Pomacea bridgesii
é amplamente utilizada no combate à algas em aquários plantados.
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Pomacea bridgesii
alimentando-se de algas nas folhas de Glossostigma elatinoides.
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Uma "lenda da aquariofilia", talvez difundida pelo fato das ampulárias
ingerirem uma grande variedade de matéria orgânica, atribui à elas
o apetite por fezes, sejam delas mesmas ou de peixes e/ou outros
inventebrados. Essa informação é absurda e equivocada, ampularídeos
não se alimentarão de excrementos, mesmo que não haja nenhuma
outra fonte de comida. Na total ausência de alimento em um aquário,
ampularídeos costumam fazer o que fariam na natureza: migrar em
busca de melhores condições de sobrevida. Isso significa que, quando
estiver realmente com fome, a ampulária certamente irá tentar fugas
do aquário na busca por alimento.
Há quem utilize as pomaceas na função de uma "equipe de limpeza"
para aquários de água doce. Dessa forma a aquisição desses moluscos
torna-se tentadora, visto que as pomaceas em geral possuem um grande
apetite, um "cardápio" variado, não costumam ser "enjoadas", e podem
devorar uma grande quantidade de detritos orgânicos indesejáveis
num aquário: cadáveres, restos de ração, etc. Contudo, pomaceas
só irão alimentar-se fartamente se forem mantidas em temperaturas
mais altas, caso contrário, seu apetite é escasso ou quase nulo.
Em temperaturas elevadas, o metabolismo da pomacea se acelera,
e com ele sua demanda de energia - assim como seu apetite - aumenta.
Consequentemente, a pomacea irá defecar muito também. Algumas
literaturas especializadas afirmam que as fezes das ampulárias,
embora sejam produzidas em grande quantidade, são "menos tóxicas"
que as fezes dos peixes. Essa afirmação é controvérsia, senão duvidosa,
pois há autores que negam tal teoria. De qualquer forma, qualquer
excremento, seja mais ou menos tóxico, não deixa de ser matéria
orgânica que aumentará os níveis de amônia e nitrito, e que em grande
quantidade pode comprometer a qualidade da água do aquário, causando
danos a peixes e invertebrados.
6. Doenças específicas de ampularídeos
- Deformação / Má formação / Crescimento irregular da concha
Sintomas: A gravidade de tais problemas na concha pode variar
muito. Podem ser desde uma pequena fissura na abertura da concha
que não cicatrizou, lesões diversas, desenvolvimento / crescimento
defeituoso dos espirais, abertura da concha muito estreita ou
larga demais, mau posicionamento do opérculo, até lesões grosseiras
que podem dificultar algumas atividades do ampularídeo, ou até
levá-lo à morte.
Causas: As causas dessas deformações são diversas:
- Exposição do animal a temperaturas adversas;
- Falta de alimento;
- Lesões na concha do ampularídeo quando jovem, causadas
por acidentes diversos, prejudicando seu crescimento;
- Borda da concha danificada, que não conseguiu ser refeita;
- Mudanças extremamente bruscas de parâmetros da água e/ou
alimentação;
- Má formação do embrião;
- Problemas genéticos.
Consequências: Dependendo da gravidade da deformação
da concha, ela pode comprometer a qualidade de vida do animal.
Por exemplo, deformação dos espirais pode dificultar a movimentação;
alterações da abertura da concha podem comprometer a reprodução,
o desenvolvimento do complexo peniano nos machos, a cópula,
bem como o posicionamento do opérculo; ou modificações nas suturas
entre os espirais podem danificar a formação dos órgãos internos
(massa visceral). Diante de tais dificuldades, o ampularídeo
pode acabar morrendo, ou tendo sua expectativa de vida drasticamente
reduzida.
Prevenção:
- Não expor o ampularídeo a acidentes e/ou quedas, principalmente
em exemplares jovens;
- Não submetê-lo a mudanças bruscas de temperatura;
- Evitar temperaturas extremas, tanto muito baixas quanto
extremamente altas, respeitando a faixa de temperatura ideal
para manter ampularídeos;
- Evitar mudanças bruscas na dieta da ampulária, bem como
alterações na quantidade de alimento oferecido.
Tratamento: Infelizmente na maioria dos casos de deformação
/ má formação da concha, não há muito que possa ser feito pelo
ampularídeo. Quando o problema é genético, de má formação do
embrião, ou no caso de problemas graves, principalmente nos
espirais secundários da ampulária, não há tratamento.
No caso de lesões profundas na abertura da concha, pode-se
tentar dois tratamentos: um indicado para indivíduos jovens
e/ou com lesões recentes, outro para exemplares adultos. Para
os primeiros, deve-se induzir à redução da velocidade de crescimento,
abaixando gradualmente a temperatura e oferecendo menos alimento
(quantidade, não variedade). Isso fará com que a deformação
não ocorra rapidamente, de forma que a ampulária possa até revertê-la,
ou ao menos ter tempo para adaptar-se a ela. Em pomaceas
adultas, ou que se tenha certeza que o problema irá ser resolvido
naturalmente, faz-se exatamente o contrário: aumentando a temperatura
e a oferta de alimento, fazendo com que ela se “cure” mais rapidamente.
- Concha fina, frágil e quebradiça
Sintomas: A estrutura da concha é dividida em diversas
camadas. A primeira camada é formada por um tecido chamado periostracum,
feito de células especializadas, e responsável pela coloração
da concha das ampulárias. Recoberto por esse tecido está uma
camada onde se depositam cristais de carbonato de cálcio, compondo
a estrutura da concha. E é nessa última camada que ocorrem os
problemas de fragilidade da concha, que fica com aparência fina,
em casos mais graves tornando-se quebradiça e danificando o
periostracum. Entretanto, o periostracum vai desaparecendo com
a idade, deixando a concha com algumas manchas brancas, indicando
a ausência desse tecido em ampularídeos mais velhos. Isso não
significa portanto, que obrigatoriamente a ausência de periostracum
em algumas regiões da concha indique a falta de cálcio, ou que
a mesma esteja fragilizada.
Causas: A principal causa desse problema é a qualidade
de água não apropriada para as ampulárias, no que se diz respeito
à concentração de cálcio na água (GH), fazendo com que não haja
“matéria-prima” para a formação da concha; ou um pH bastante
ácido para ampulárias (< 6.5), o que literalmente corrói a superfície
da concha.
Consequências: Esse é um dos problemas mais comuns apresentados
por ampularídeos. Na verdade, quase todas as ampulárias mantidas
em aquários comunitários comuns – com exceção das mantidas em
aquários com pH alcalino e com grande concentração de carbonatos,
como é o caso de aquários de ciclídeos africanos – apresentam
algumas “falhas” no tecido da concha, acusando a carência de
cálcio presente na água. Pequenas rachaduras não costumam causar
problemas, todavia, a longo prazo, elas podem tornar-se grandes
aberturas na concha. Esses “buracos”, se ocorrerem fora da região
“cicatrizável” da concha da ampulária, jamais cicatrizarão,
visto que é feito de cristais de cálcio inertes. Em casos extremos,
os buracos podem ser grandes o bastante a ponto de deixar a
massa visceral exposta. Isso pode acarretar vários problemas,
desde a vulnerabilidade a ataques de eventuais peixes, invertebrados
(até outras ampulárias), até um colapso pulmonar.
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Região “cicatrizável”
da concha de uma Pomacea bridgesii. A extensão da área
pode variar devido a vários fatores, como alimentação,
qualidade de vida, cálcio dissolvido na água, etc.
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Prevenção:
- Oferecer uma qualidade de água favorável para o desenvolvimento
da concha das ampulárias. Isso significa: pH não menor que
6.5, de preferência alcalino, e GH alto.
- Há quem utilize outro tipo de precaução: os “banhos de
cálcio”. Esses “banhos” consistem em manter a ampulária numa
água com pouca concentração de cálcio, inevitavelmente deteriorando
gradualmente a concha, e periodicamente expô-la a uma água
com GH alto por alguns dias, até ela refazer sua concha, quando
é novamente devolvida ao aquário. Esse meio de prevenção não
é recomendado, visto que há o grande risco de choque para
ampulária (que mesmo sendo um animal muito rústico e resistente,
não é “inabalável”), e principalmente a má formação da concha
devido à inconstância de parâmetros, acarretando a deformação
/ Má formação / Crescimento irregular da concha, como foi
visto acima. Ou seja: resolve-se um problema, originando outro.
Tratamento: O tratamento mais eficaz chega a ser óbvio:
basta corrigir a concentração de cálcio na água, aumentando
o GH. Caso queira aumentar o GH, porém sem alterar outros parâmetros
(pH e KH), basta adicionar cálcio na água. Pode ser cloreto
de cálcio (CaCl2), mas não carbonato de cálcio, pois esse irá
alterar o pH. O cloreto de cálcio pode ser encontrado em distribuidoras
de produtos químicos, contudo essa substância deve ser utilizada
com cautela, pois geralmente vem muito concentrada. Há alguns
produtos próprios para aquários que adicionam somente cálcio
na água. Um exemplo é o Bio-Calcium, da Tropic Marin.
No caso de uma concha já deteriorada, especialmente fora da
região cicatrizável, pode-se tentar literalmente “remendar”
a concha do ampularídeo, utilizando desde pedaços de concha
de outras ampulárias, casca de ovo, ou até mesmo pedaços de
plástico. Esses pedaços são colados cobrindo os buracos, de
preferência utilizando cola de uso médico, embora essa seja
relativamente difícil de encontrar e muito cara. Uma boa alternativa
é utilizar um adesivo instantâneo de uso doméstico (Super
Bonder). De qualquer forma, a “cirurgia de reparo” deve
ser feita com muito cuidado, já que a cola jamais deve
entrar em contato com o tecido do animal.
- Deterioração / buracos / perda do opérculo
Sintomas: O opérculo é bem menos vulnerável a deteriorações
e problemas, visto que a concentração de cálcio nele é desprezível,
sendo predominantemente formado por queratina e outras proteínas.
Todavia, alguns problemas podem acarretar na alteração da forma
(mais comuns em indivíduos mais velhos), buracos ou até a perda
total do opérculo.
Causas: As más formações do opérculo estão relacionadas
a causas parecidas com as alterações ocorridas com a concha
da ampulária: falta de alimentação adequada, lesões causadas
por acidentes, problemas genéticos ou de formação do embrião,
temperatura e outros parâmetros adversos. Os buracos podem ser
causados pela excessiva carência de cálcio ou velhice, e a perda
total do opérculo, freqüentemente pode estar relacionado a condições
extremamente adversas da qualidade de água (como um nível de
amônia absurdamente alto, por exemplo), ou graves problemas
de saúde da ampulária, podendo estar relacionado a bacterioses
ou infecções internas, e desconhecidas. Inclusive deve-se verificar
se a ampulária não está realmente morta!
Consequências: Problemas no opérculo não costumam comprometer
a qualidade de vida do animal ou trazer outras conseqüências
mais graves. A maior dificuldade é quando o ampularídeo vai
se abrigar dentro da sua concha, já que não tem um opérculo
saudável para isolá-lo adequadamente. Esse problema pode tornar-se
mais grave quando a ampulária é mantida com peixes ou invertebrados
que possam atacá-la, já que mesmo quando recolhida em sua concha,
continuará exposta a agressões. Se o opérculo estiver ausente,
além de ser um indicativo de que algo vai realmente mal na saúde
da ampulária, a mesma pode apresentar dificuldades na movimentação,
principalmente se for um espécime mais velho, com uma concha
grande e pesada.
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A concha da
Pomacea é bastante robusta e pesada. O opérculo possui
um formato côncavo justamente para apoiar a concha sobre
o pé do animal, permitindo que o mesmo suporte o peso
com mais facilidade.
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Prevenção: Com exceção de causas que não podem ser evitadas
(problemas genéticos, de desenvolvimento do embrião), problemas
no opérculo podem ser evitados oferecendo boas condições da água,
parâmetros aceitáveis e alimentação farta e variada.
Tratamento: Infelizmente não há muito que possa ser
feito quando aparecem sinais de deterioração, buracos ou perda
do opérculo. Especialmente no último caso, cuja causa pode ser
devido a infecções internas, desconhecidas e portanto sem tratamento.
De qualquer forma, deve-se analisar os parâmetros e a qualidade
da água, e corrigi-los caso apresentem-se alterados, oferecendo
um bom ambiente para a ampulária.
- Perda total / parcial dos tentáculos labiais e/ou cefálicos
Sintomas: A danificação dos tentáculos (e não “antenas”)
pode ter diferentes tipos de gravidade: desde as pontas afetadas
até o órgão inteiro arrancado. Isso compromete a estética do
animal, que perde os movimentos graciosos dos tentáculos.
Causas: A grande maioria dos casos de perda total ou
parcial dos tentáculos é devido ao ataque de peixes. Os tentáculos,
principalmente os cefálicos, permanecem muito expostos quando
a ampulária está ativa, e como o número de espécies de peixes
que possuem um “apetite” por caramujos é grande, os ataques
são direcionados principalmente para os tentáculos.
Em alguns casos os tentáculos podem ser perdidos / danificados
em acidentes, porém isso é bem mais raro, já que ampularídeos
possuem um reflexo de recolher seus tentáculos e corpo quando
ameaçadas.
Consequências: Na maior parte das vezes o ampularídeo
não sofre nem corre maiores riscos quando tem seus tentáculos
danificados. O único problema maior é que tentáculos atacados
normalmente são a “porta de entrada” para ataques mais violentos
e graves, aí sim comprometendo a saúde do animal, podendo até
mesmo levá-lo a morte.
Prevenção: A única prevenção para que a ampulária não
sofra ataques nos tentáculos é saber escolher quais espécies
conviverão com ela no aquário, não escolhendo espécies muito
agressivas e/ou tenham tendência a atacar caramujos. Felizmente,
boa parte das ampulárias conseguem adaptar-se a eventuais agressões
em seus tentáculos, mantendo-os sempre recolhidos.
Tratamento: As ampulárias possuem uma grande capacidade
de reparar danos no corpo por si mesmas, portanto, na maioria
das vezes o tentáculo perdido refaz-se, originando um tentáculo
novo. Freqüentemente esse tentáculo fica ligeiramente menor
e mais fino que o “original”. De qualquer forma, deve-se ficar
atento para que esses ataques não se tornem mais graves, colocando
a saúde do ampularídeo em risco.
- Colapso do manto
Sintomas: O manto é uma estrutura em forma de saco,
que recobre órgãos muito importantes da ampulária, como pulmão
e brânquias, agindo como um envoltório protetor. Em condições
normais, o manto é perfeitamente alinhado com a entrada e o
interior da concha, restando apenas alguns décimos de milímetros
entre esta e a pele da ampulária, espaço esse preenchido com
fluido, cuja função é a proteção, isolamento e amortecimento
de choques. Em apenas alguns pontos, o manto é fixado diretamente
na concha. A concha e o manto ficam como que em “equilíbrio”.
Quando ocorre um colapso do manto, esse “equilíbrio” é desfeito
e o manto “desmorona” para fora da concha. Conseqüentemente,
o pulmão também. A aparência externa é como se o corpo da ampulária
estivesse “saindo” para fora da concha.
Causas: Infelizmente os fatores que levam ao colapso
do manto são desconhecidos.
Consequências: O colapso do manto não só pode afetar
severamente o pulmão, ou até mesmo inutilizá-lo, como também
comprometer a saúde das brânquias, diminuindo seu funcionamento,
já que a água não tem como fluir pelas brânquias adequadamente.
Depois de algumas semanas no máximo, o animal morre por asfixia.
A qualidade de vida da ampulária é drasticamente prejudicada:
o animal não consegue se movimentar, alimentar-se, tornando-se
inativo e moribundo.
Prevenção: Como o colapso do manto é uma moléstia com
várias incógnitas, uma prevenção direta é desconhecida. Sendo
assim, oferecer boas condições de vida para a ampulária é a
única prevenção.
Tratamento: Infelizmente não há tratamento ou remédio
conhecido. Nessa circunstância, a maioria dos criadores recorre
por sacrificar o animal, expondo-o a baixas temperaturas (colocando-o
num refrigerador, por exemplo). Embora a eutanásia seja mal
vista por muitos criadores, o quadro de saúde de um ampularídeo
com colapso no manto dificilmente irá melhorar.
- Excesso de fluido nos tecidos / Inchaço
Sintomas: Essa produção excessiva de fluidos ocorre
principalmente em indivíduos mais velhos. Os principais sintomas
são o corpo com aparência inchada (devido à retenção de líquidos),
diminuição da atividade, perda do equilíbrio (a ampulária freqüentemente
“tomba” para os lados ao movimentar-se), e dificuldade de aderir
a vidros e outras superfícies lisas.
Causas: Como pouco se sabe a respeito de doenças internas
de ampularídeos, as causas dessa retenção excessiva de fluidos
são apenas hipóteses. Alguns autores associam esse mal ao desequilíbrio
osmótico do animal com o meio, ou relacionam com o funcionamento
das brânquias, pulmões e coração, ou ainda que seja de fato
alguma doença (bacteriose, virose) que apresente esses sintomas.
Consequências: Além de prejudicar o bem estar da ampulária,
a retenção de líquido pode literalmente “entupir” a cavidade
do manto, comprometendo o funcionamento dos pulmões e brânquias.
Em casos mais graves, o animal fica moribundo ou pode morrer
por asfixia.
Prevenção: Como as causas são desconhecidas, a única
prevenção é oferecer condições favoráveis à saúde da ampulária.
Tratamento: Infelizmente, como na maioria das doenças
internas de ampularídeos, a única solução é: esperar, ou em
casos mais extremos, recorrer à eutanásia. Porém, alguns criadores
recorrem a um tratamento de alto risco, que pode facilmente
levar a ampulária à morte: o tratamento com sais (normalmente
NaCl), baseado nos princípios da osmose. Embora saiba que a
sensibilidade das ampulárias por sal é grande, pode-se tentar
adicionar quantidades ínfimas, muito gradualmente, e
observar se as condições melhoram. Em teoria, o corpo perderia
água para o meio, desinchando. Mas saiba que é um tratamento
de altíssimo risco: ampulárias, assim como a grande maioria
dos moluscos dulcícolas, não toleram salinidade, mesmo
em baixa escala. Altas concentrações de sal poderão matá-las
quase que instantaneamente.
- Intoxicações
Sintomas: É sabido que ampulárias são extremamente sensíveis
a uma grande quantidade de substâncias químicas, presentes em
praticamente todos os remédios e drogas utilizados no tratamento
de moléstias em peixes. O princípio básico dos bactericidas
e fungicidas é matar os seres causadores das doenças sem causar
efeitos adversos na saúde dos peixes, devido a diferenças, fisiológicas
/ metabólicas entre ambos.
Uma ampulária intoxicada pode apresentar sintomas diversos,
dependendo do tipo substância que a afetou e quantidade; os
sintomas mais comuns vão desde perda da cor, inatividade, perda
do apetite, flutuação, entre outros comportamentos adversos.
Algumas substâncias são extremamente letais para ampularídeos,
matando-os em poucas horas.
Causas: A intoxicação das ampulárias ocorre principalmente
quando há o tratamento de peixes com remédios, ou quando substâncias
químicas são adicionadas na água do aquário.
Consequências: As conseqüências dependem do tipo da
substância e concentração da mesma na água onde a ampulária
está. Em alguns casos o animal fica “dopado”, evidenciando que
o sistema nervoso foi afetado. Em casos mais severos, porém,
o funcionamento do organismo fica prejudicado como um todo,
órgãos são inutilizados e a ampulária acaba por morrer.
Prevenção: Para evitar que a ampulária se intoxique
com substâncias químicas, deve-se isolar o animal em outro aquário
ou recipiente durante o tratamento dos peixes com qualquer substância,
a menos que se tenha certeza de que o produto utilizado não
fará mal ao ampularídeo. Isolar o animal também é eficiente
para evitar que parasitas livres na água instalem-se no corpo
da ampulária, tornando-a hospedeira dos mesmos, podendo reinfectar
os peixes.
Outra precaução é conhecer quais substâncias e remédios largamente
usados na aquariofilia são letais aos ampularídeos. Alguns deles:
- Verde de malaquita, presente em quase todos os fungicidas;
- Formalina, formaldeído, metrifonato, Neguvon, e afins;
- Pesticidas em geral, óbvio;
- Metaldeído, é um moluscida;
- Qualquer substância que contenha cobre, também amplamente
utilizado em bactericidas e fungicidas;
- Furanase, da Aquarium Products, amplamente utilizado na
aquariofilia;
- Clout, também da Aquarium Proucts;
- BINOX;
- Sal;
- Sulfato de Magnésio (“sal amargo”);
- Metronidazol (Flagyl);
- Albendazol; - entre outros.
Tratamento: Se a intoxicação for de pequenas proporções
e rapidamente tratada, pode ser facilmente curada. Deve-se retirar
imediatamente o animal à exposição da substância e mantê-lo
em água limpa e livre da mesma. Dependendo da gravidade, a ampulária
vai “limpando” seu organismo por si própria, liberando a substância
tóxica na água. Sendo assim, trocas parciais diárias são necessárias,
a fim de eliminar a substância por completo.
7. Reprodução
Ao contrário do que muita gente pensa, nem todos os caramujos são
hermafroditas, e os ampularídeos são apenas um exemplo disso. Entretanto,
a diferenciação do sexo das ampulárias geralmente é uma tarefa complicada,
pois deve-se observar o complexo peniano presente nos machos e ausente
nas fêmeas.
Identificando o sexo de uma Pomacea
- Retire a pomacea da água. Provavelmente o reflexo dela
será se recolher em sua concha.
- Deixe-a com a entrada da concha apontando para o chão. Com
um pouco de paciência e sorte (dependendo da “timidez” da ampulária),
a tendência é que o animal relaxe, exibindo o pé e a cabeça.
- Quando a pomacea estiver com o corpo para fora, pode-se
tentar induzi-la a “abaixar a cabeça”, exibindo o lóbulo nucal.
Isso pode ser feito aproximando uma superfície qualquer ou a própria
mão. Como não é confortável para a ampulária ficar “pendurada”
pela concha, a tendência é que ela tente alcançar a superfície
para apoiar-se.
- Ao observar o lóbulo nucal, pode-se observar o sifão respiratório
no lado esquerdo, e no lado direito, uma “bolinha” (o complexo
peniano), caso a pomacea seja um macho. Se a protuberância for
inexistente, então trata-se de uma fêmea.
As pomaceas, bem como a maioria dos caramujos, são extremamente
prolíficos, não sendo tarefa difícil induzi-los à reprodução. A
primeira coisa a fazer é possuir um casal (óbvio). Em segundo lugar,
oferecer condições favoráveis para que as ampulárias reproduzam.
Isso significa temperatura alta, alimentação farta e variada, e
uma coluna de ar de 8-10 cm para facilitar a desova, evitando que
a pomacea se aventure para fora do aquário na busca de um
bom lugar para desovar. Se essas condições forem satisfeitas, pode-se
retirar várias ninhadas por mês. Alguns criadores consideram que
a atividade reprodutiva das pomaceas torna-se acentuada na
primavera.
Após a cópula, a fêmea emerge da água a fim de desovar, geralmente
à noite. Todas as pomaceas botam seus ovos acima da coluna
d’água. Os ovos recém colocados são úmidos e adesivos, para facilitar
a montagem do ninho, mas em poucas horas sua casca torna-se rígida.
Os ovos devem permanecer úmidos, porém jamais podem ser molhados/submersos,
nesse caso os ovos não vingam e os embriões morrem afogados. Em
duas a quatro semanas – dependendo da temperatura – os ovos eclodem,
liberando os filhotes na água.
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Ovos de Pomacea
bridgesii.
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Ao caírem na água, os filhotes, verdadeiras miniaturas dos pais,
já iniciam sua vida buscando alimento. Nas primeiras semanas, os
filhotes da pomacea alimentam-se de toda e qualquer matéria
orgânica, o que é facilmente encontrado num aquário já estabilizado.
Depois de crescidos, comem o mesmo que seus pais. Aliás, estes dificilmente
irão devorar os filhotes, a menos que não haja outra fonte de alimento.
8. Considerações finais
As ampulárias do gênero Pomacea são provavelmente os invertebrados
mais interessantes de se manterem em aquários. São graciosas, pacíficas
e possuem um toque de exotismo. São incrivelmente resistentes, fortes
e adaptáveis, contrariando sua aparência delicada. Especialmente
a Pomacea bridgesii é uma excelente algueira e auxilia na
limpeza do aquário alimentando-se de restos de comida e outros tipos
de matéria orgânica. Há quem as ache feias, esquisitas ou ainda
"nojentas", mas isso ocorre provavelmente por não terem tido a oportunidade
de conhecê-las e apreciá-las.
Flávia Regina Carvalho
Publicado
originalmente no website AquaBrasilis
¹ - Muitos devem estar questionando essa afirmação visto que
as pomaceas são tidas como pragas em algumas regiões do mundo, como
o grave caso da proliferação da Pomacea canaliculata no sudeste
asiático. No entanto, sabe-se que todas as situações em que pomaeas
tornam-se pragas ocorrem devido a intervenção do homem na natureza.
² - Conquiliologia = estudo das conchas. Antigamente conquiliologia
significava apenas colecionar conchas, mas esse tipo de estudo tornou-se
tão científico que passou a fazer parte da malacologia.
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Atualização: 07.05.09 15:53
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