Dicas
Artêmia - Um rico alimento (Artemia sp.)
Artêmias, congeladas ou hidratadas, são alimentos imprescindíveis
para qualquer tipo de peixe, pelo seu alto valor protêico que é
de 62,8 %.
Elas são capturadas vivas, limpas em água corrente e uma parte
é congelada imediatamente (artêmia congelada) e outra parte é colocada
em salmoura (artêmia hidratada), mantendo todas as suas características.
Durante todos os meses do ano proliferam 13 tipos de algas, ocasionando
cores diferentes nas artêmias, tais como: vermelhas, marrons, rosadas,
brancas e até quase pretas.
Mas todas, independente da coloração, tem a mesma composição de
62,8 % de proteína, 6,8% de óleo e 30% de água.
Artêmia congelada, acondicionada no congelador, dura anos e anos,
sem alterar absolutamente a sua composição, já a artêmia hidratada
não poderá ser guardada na geladeira, apenas em ambiente natural,
mesmo depois de aberta.
Os peixes vivem melhor com um cardápio bem variado de alimentos.
O gênero artêmia
Composto de minúsculos camarões marinhos, constituem uma das formas
mais primitivas de vida dos crustáceos.
Eles são conhecidos como "camarão de salmoura" ou "brine shrimp";
estes animais de pés em forma de chapa (phyllopoda) não possuem
barbatanas como os peixes, mas em compensação possuem muitas pernas
com as quais se locomovem na água.
A utilização deste rico alimento apresenta as seguintes vantagens
sobre os outros disponíveis no mercado:
- São marinhos, imunes e isentos de parasitas ou outros organismos
de água doce, não trazendo qualquer perigo ou risco de doenças
aos alevinos;
- São minúsculos, não comprometendo o oxigênio existente na água
do aquário;
- São fáceis de eclodir, bastando que a água esteja alcalina,
com densidade entre 1023/1025 e contenha boa quantidade de sal
marinho, uma ou duas colheres de sopa - dependendo do volume do
recipiente;
- Sua coleta é fácil: após 24 ou 36 horas, dependendo da temperatura
(calor ou frio) e do tipo do cisto, a coleta é feita através de
uma peneira de malha bastante fina;
- Os cistos duram, em local fresco e seco, por mais de 10 anos
sem perder a sua fertilidade.
Artemia sp.
É um crustáceo branquiópode, encontrando-se em todos os
continentes, em salinas ou lagos salgados, acima de 70o/oo onde
os predadores não sobrevivem, sendo relativamente fácil, antes da
época das chuvas, encontrar os seus ovos junto à margem, arrastados
pelo vento.
Estes ovos, com cerca de 200-300µm de diâmetro, são cistos em diapausa,
como forma de adaptação a condições ambientais adversas (como a
temperatura e a salinidade) e que após rehidratação dão origem a
novos animais. A dimensão de Artemia sp. varia entre ±0,45mm
(náuplio) a 1,5 cm (adulto).
Alguns autores continuem a considerar apenas a designação Artemia
sp. devido à dificuldade de uma correta identificação, atualmente
consideram-se já algumas espécies como Artemia franciscana,
Artemia persimilis, Artemia sinica e Artemia salina
(= A.tunisiana).
Quanto à reprodução Artemia sp. pode ser , com machos e
fêmeas em igual proporção, ou pode ser partenogenética.
A alteração do seu comportamento reprodutor surge como resposta
a condições adversas do meio (ex: secas, temperaturas extremas,
salinidade muito elevada, escassez de alimento). Em ambos os casos
as fêmeas poderão produzir dois tipos de ovos, em função de adaptação
a condições ambientais:
- aqueles cujo desenvolvimento embrionário se desenrola dentro
do útero da fêmea, nascendo diretamente sob a forma de náuplios
livres (ovoviviparidade);
- os que ao chegarem ao estádio de gástrula incipiente, dentro
do útero da fêmea, param o seu desenvolvimento, são cobertos por
um córion resistente procedente das glândulas da casca e libertados
sob a forma de cistos (oviparidade). Este comportamento está perfeitamente
determinado, independentemente da espécie ou estirpe e quaisquer
que sejam as condições ambientais.
O córion ou casca é de natureza lipoproteica impregnada de quitina
e de hematina. Esta tem um papel importante na manutenção da estrutura
e proteção contra as radiações ultra-violeta.
A concentração em hematina determina a côr do córion, mais ou menos
escura.
Os cistos são gástrulas em diapausa ou criptobiose como forma de
assegurarem a sobrevivência da espécie resistindo às condições desfavoráveis
do meio.
Artemia sp. é um alimento ideal para peixes e crustáceos
que possam ingerir presas de dimensão superior a 0,5mm. A sua utilização
em aquacultura e aquariofilia deve-se a vários fatores:
- disponibilidade de cistos. Os cistos são embriões, na fase
de gástrula em estado de diapausa ou criptobiose, podendo ser
conservados por longos períodos e que eclodem, ao fim de 24/36
horas, quando são introduzidos em água, em condições ambientais
adequadas. Ao eclodirem dão origem a náuplios;
- facilidade de cultura em grandes concentrações, ± 250 náuplios
por mililitro, e crescimento rápido, de ± 450µm a 1,5 cm em 15
dias (25°C). O seu crescimento e facilidade de manipulação permite
a sua utilização em diversas fases dos cultivos larvares de acordo
com a dimensão da larva, uma vez que presas de maiores dimensões
diminuem o esforço de captura por parte das larvas e são necessárias
em menor número;
- possibilidade de modificação do seu perfil nutritivo com a
bioencapsulação com produtos adequados (ricos em ácidos gordos
poli-insaturados, vitaminas, etc.);
- possibilidade de servirem como veículo de transporte de substâncias
para as larvas (ex. antibióticos).
Existem no mercado cistos de diversas estirpes de Artêmia sp.
de diferentes proveniências, com diferentes dimensões e diferente
composição em ácidos gordos poli-insaturados (HUFA) que, são de
extrema importância para as larvas de peixes marinhos, como fonte
de energia e como constituintes dos fosfolípidos das membranas celulares.
A conservação dos cistos deverá ser feita de modo a que permaneçam
secos (desidratados), de preferência em vácuo, e a baixas temperaturas.
Podem mesmo ser congelados mas deverão estar uma semana à temperatura
ambiente antes de serem postos a eclodir.
Obtenção de náuplios
Os cistos têm uma forma bi-concava e vão aumentar de volume ficando
com a forma esférica ao fim de 1 a 2 horas após a inclusão em água.
Quando o embrião está completamente desenvolvido, o córion rompe-se
como resultado da acumulação de glicerol.
A rotura da casca (córion) dá-se ao fim de 12 a 20 horas de hidratação,
este período de tempo depende da estirpe e da temperatura de incubação,
e o embrião rodeado por uma membrana embrionária transparente emerge
lentamente e fica visível.
O náuplio inicia uma série de movimentos, rompe a membrana
e liberta-se para o exterior. Quando o córion se rompe estamos na
fase de pré-emergência e, quando o náuplio emerge rodeado pela membrana
embrionária estamos na fase de "umbrella" ou pré-náuplio.
Após o rompimento desta membrana, o náuplio encontra-se na fase
instar I: possui 450-475 µm de comprimento, a sua cor é alaranjada
devido às reservas vitelinas que possui e nada através do batimento
das antenas. Na fase instar II, após a 1ª muda, o náuplio possui
entre 600-650 µm de comprimento e é mais translúcido. Após a 2ª
muda, estamos em instar III, metanáuplio, possuindo o náuplio entre
700-800 µm, as reservas vitelinas estão praticamente esgotadas.
Os náuplios em instar I possuem muito mais reservas lipídicas,
que vão decrescendo para os estádios mais avançados, pelo que deverão
ser utilizados como alimento nesta fase. À temperaturas de
26-28 ºC, a passagem de instar I a instar II, dá-se em cerca de
oito horas. Nesta fase, inicia a alimentação exógena composta por
microalgas, bactérias e pequenas partículas variadas (1-50 µm).
Os cistos podem ser descapsulados (remoção do córion através da
dissolução em hipoclorito de sódio) ou postos a eclodir diretamente
em água doce, salobra ou salgada, de acordo com a preferência da
estirpe utilizada, em tanques com a forma cilidrico-cónica, transparentes
ou translúcidos. Ambos os métodos podem ser utilizados de acordo
com as infra-estruturas presentes.
A incubação dos cistos é uma fase importante de modo a assegurar
uma máxima taxa de eclosão. Esta deverá ser feita do sob as seguintes
condições:
- temperatura entre 25-30 ºC;
- luz intensa, mínimo de 1000 lux, durante todo o processo (24h-28h),
ou no mínimo nas primeiras horas após a total hidratação dos cistos.
A luz, nas primeiras 4 a 5 horas é de extrema importância porque
os cistos são sensíveis à luz que estimula o reinício do metabolismo
e os primeiros estádios da eclosão;
- salinidade 20 a 35o/oo. No entanto, de acordo com a espécie
poderá situar-se entre 15 e 70o/oo, e com certas estirpes obtêm-se
melhores resultados com valores inferiores, que podem atingir
5o/oo.
- pH 8 ou acima deste valor, pode ser corrigido com (CO3Na2 ou
NaHCO3 - até 1g/l), principalmente em grandes densidades de incubação).
Os metabolitos da eclosão fazem baixar o pH, o que pode levar
à diminuição das taxas de eclosão (20-25%).
- arejamento contínuo e forte, sem difusor, de forma a manter
os cistos em suspensão e o O2 dissolvido acima de 5 mg/l, (mínimo
2mg/l).
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Atualização: 02.10.08 11:36
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